A vingança do Cara de Formiga I

- Ele disse que vai matar você.

Estou definitivamente numa maré de azar com os pés, pernas, tronco e a cabeça bem fundos nela e me afogando. Aquela era a cereja de azar no meu bolo de azar. Um pintinho recém-nascido na boca de um buraco negro. Um Ssicutrey em Yertu, não, Uyxuana. O mais azarado dos bastardos no pior lugar do universo; eu hoje, agora mesmo. E eu não tenho ideia melhor que pedir mais um chopp sasruiliano ao bom e velho Con-Ray.

- Ele diz que você roubou dele e que ele vai te matar.

- Eu roubei dele? Blefe não é roubo!

- Não foi o que eu ouvi...

- Aquele insectoide só pode tá de sacanagem.

- Duvido muito, ele não é um zangão. Mas ele disse que você roubou sua honra, seu tempo e mais importante seus créditos, aquele maldito macaco fedido ele disse. Apostar com caras de formiga é uma péssima ideia, não sei o que você pensou que ganharia com isso além de uma formiga muito puta no seu cangote. Insectoides, você sabe o que dizem. Se tentar fugir ele vai te caçar, se tentar enfrentá-lo quais são as suas chances? Irrelevantes. Talvez este seja um bom momento para encontrar a sua paz interior.

- Con-Ray...

Eu sei que posso confiar no Con-Ray por três ótimos motivos. Primeiro ele é meu barman, segundo ele não tem emoções nem vaidade, orgulho ou interesses, terceiro ele é um robô dissidente de um exército de robôs genocidas que desejam exterminar todas as formas de vida biológica. Ele é o desapego em pessoa. Xalaiana é a cantora da noite com todas as suas bocas sensuais e estranhas e eu não consigo não acompanhar com batidinhas na mesa as horríveis canções que saem delas. Teremos uma noite agradável. Vou começar o meu próprio show quando o cara de formiga chegar, um show de luzes e tiros.

- me vê outro chopp.

Mais um dia normal na Fissura.

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